Jesus Crucified

Jesus Crucified
Jesus Christ have mercy on us

Holy Tridentine Mass - Santa Missa Tridentina.

sábado, 30 de julho de 2011

Como ser um Católico Exemplar ?

Capítulo I - Deveres para com Deus

O homem não é o senhor do mundo. Acima dele está um Ser Onipotente, que pode o que ele não pode, que vê o que ele não vê, que sabe o que ele ignora. Por isso, o homem criado por Deus tem como primeiro dever o amor a Ele: “Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Esse é o maior e o primeiro mandamento” (Mt 22,37-38), e: “Quem só quer Deus, é rico de todos os bens” (Santo Afonso Maria de Ligório, A Prática do Amor a Jesus Cristo, Resumo das Virtudes). Ele, o nosso Criador e Senhor, merece, portanto, todo o nosso respeito e adoração: “... adorai a Deus nos seus átrios sagrados!” (1 Cr 16,29). Consagra-Lhe pois os melhores afetos de teu coração e tributa-Lhe, todos os dias, a homenagem da oração, temendo sumamente ofendê-Lo: “Morrer, mas não pecar” (São Domingos Sávio), e: “Filho, deves evitar tudo quanto sabes desagradar a Deus, quer dizer, todo pecado mortal, de tal forma que prefiras ser atormentado por toda sorte de martírios a cometer um pecado mortal” (São Luís de França, Do Testamento Espiritual de São Luís a seu filho).

Lembra-te que o temor de Deus é o princípio da sabedoria: “Feliz o homem que teme a Deus...” (Sl 111,1), e ele é também a base da santidade. Segue o conselho do bom Tobias a seu filho: “Meu filho, lembra-te do Senhor todos os dias e não queiras pecar, nem transgredir seus mandamentos” (Tb 4,5).

Além de respeitar e amar a Deus, deves também amor e respeito à Santa Igreja Católica Apostólica Romana, a única Igreja fundada por Jesus Cristo: “... tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja...” (Mt 16,18), e: “Amar a Igreja, eis, amados filhos, o dever da hora presente. Amá-la significa estimá-la e ser feliz em pertencer a ela. Significa ser-lhe resolutamente fiel. Significa obedecer-lhe, servi-la, ajudá-la com alegria até o sacrifício, na sua missão difícil” (Papa Paulo VI, 18-09-1968), é preciso também amar e respeitar os seus ministros: “Não toqueis nos meus ungidos, não façais mal aos meus profetas!” (Sl 105,15). Dos ministros de Deus ou falar bem ou então calar, como se faz com as pessoas que nos são caras, porque Deus não deixará impune, aquele que perseguir os seus ministros: “Quem os punir cairá na maior infelicidade” (Santa Catarina de Sena, O Diálogo,116).

Faça apostolado com fervor, zelo, fidelidade e caridade; e diante de uma crítica contra a santa doutrina da Igreja Católica Apostólica Romana, defenda-a como verdadeiro filho, mas evite discussões grosseiras: “Nós nascemos da Igreja; ela nos comunica a riqueza de vida e de graça de que é depositária, nos concebe pelo batismo, nos alimenta com os sacramentos e a palavra de Deus, nos prepara para a missão, nos leva ao desígnio de Deus, razão da nossa existência como cristãos. Somos seus filhos. Nós a chamamos, com legítimo orgulho, de nossa mãe, repetindo um título que vem dos primeiros tempos e atravessou os séculos” (Papa João Paulo II, 28-01-1979).

Confessa sincera e francamente a sua fé, não haja em seu comportamento nem sombra de respeito humano: “Todo aquele, portanto, que se declarar por mim diante dos homens, também eu me declararei por ele diante de meu Pai que está nos céus. Aquele, porém, que me renegar diante dos homens, também eu o renegarei diante de meu Pai que está nos céus” (Mt 10,32-33).

Guarda-te de usar em vão o nome de Deus, da Santíssima Virgem e dos santos; em músicas, conversas, piadas, ou para desafogarmos os nossos sentimentos, como fazem alguns incrédulos: “Se amamos a Deus, amaremos o seu nome e jamais o mencionaremos com falta de respeito ou de reverência, como exclamação de ira, de impaciência ou de surpresa: evitaremos tudo quanto possa desonrá-lo. Esse amor pelo nome de Deus estender-se-á também ao de Maria, sua Mãe, ao de seus amigos, os santos, e a todas as coisas consagradas a Deus, cujos nomes pronunciaremos com reverência ponderada. Para que não esqueçamos nunca este aspecto do nosso amor por Ele, Deus nos deu o segundo mandamento: “Não pronunciarás em vão o nome de teu Deus, pois Deus não deixará impune aquele que pronunciar em vão o seu nome” (Dt 5, 11)” (Leo J. Trese, A Fé Explicada, Cap. XVII).


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Capítulo II - Deveres para com os pais

Depois de Deus, é aos nossos pais que somos mais devedores. Deus promete vida longa e bênçãos nesta terra aos bons filhos: “Aquele que honra o pai viverá muito...” (Eclo 3,6), mas, Ele também ameaça com seus castigos os maus filhos, que maltratam os pais: “... amaldiçoado pelo Senhor aquele que irrita a sua mãe” (Eclo 3,16).

O primeiro dever dos filhos para com os seus pais é amá-los. Seria desnaturado o filho que não os amassem e os respeitassem.

A primeira prova de amor para com os pais é prestar-lhes obediência e submissão em tudo: “Filhos, escutai-me, sou vosso pai, e fazei o que vos digo para serdes salvos” (Eclo 3,1). O filho só não deve obedecer quando o pai manda algo ilícito. É intolerável grosseria, é má criação responder aos pais “Não quero”. Nunca lhes digas tão feia expressão.

Merece repreensão aquele filho que: mostra importuno e exigente nos seus pedidos aos pais, trata-os com indiferença, desprezo, grosseria, altera a voz ou canta enquanto é corrigido ou aconselhado pelos pais, tratá-los de igual para igual, usando “você” no lugar de “senhor” ou “senhora”, etc.: É digno de maldição o filho que guarda ressentimento dos pais, deixando até de conversar com eles: “Nem vale a pena lembrar que odiar os pais, bater-lhes, ameaçá-los, insultá-los, ridicularizá-los seriamente, amaldiçoá-los ou recusar-lhes ajuda, se estão em grave necessidade, ou fazer qualquer outra coisa que lhes cause grande dor ou ira, é pecado mortal. Estas coisas já o são se feitas a um estranho; feitas aos pais, são pecados de dupla malícia” (Leo J. Trese, A Fé Explicada, Cap. XVIII).

Ao contrário, é louvável o procedimento daquele filho que é dócil e que sempre se submete e, em tudo consulta os seus pais pedindo-lhes licença; e isto, com expressões educadas, tais como: “se é do seu agrado, pai”; “se a senhora deseja, mãe”; “se me dá licença”; etc.

E que coisa insuportável, o procedimento de um filho grosseiro, que nunca pede licença e que usa de expressões como estas: “já disse que não”; “eu vou sair sim”; “não quero nem saber”; etc.

Evita tudo quanto; direta ou indiretamente, possa desgostá-los, como seria perturbá-los em suas ocupações, pegar alguma coisa sem o seu consentimento, contradizê-los, responder-lhes com maus modos. Procura, ao invés, fazer tudo quanto lhes possa dar gosto.

Não diga nunca a menor coisa que possa prejudicar a honra de teus progenitores; antes, nada deves dizer do que se passa em tua casa.

Evita toda palavra de desprezo ou injúria, toda palavra arrogante, ressentida e impertinente.

O filho não deve manifestar os defeitos dos pais, nem mesmo criticá-los, mas rezar por eles e com respeito orientá-los no caminho certo.

Não use para com seus pais maneiras bruscas, como seria: sacudir desdenhosamente os ombros, voltar-lhes as costas, abanar a cabeça, bater os pés ou objetos, olhar de esguelha, levantar a voz ou, o que seria hediondo, ameaçá-los e agredi-los.

É preciso manifestar sempre, nas palavras e nos atos, o respeito e veneração que lhes tributas, tanto em casa, como fora, nas conversas e em toda parte.

Reza pelos teus pais, todos os dias. Retribua com sua gratidão e benevolência o amor que te consagram. O filho que rejeita os carinhos de seus progenitores, merece ser privado do amor dos mesmos: “Devemos desejar o bem estar e a salvação eterna dos pais, e rezar por eles. Se já faleceram, nossos deveres são simples: recordá-los em nossas orações e na Missa, e oferecer periodicamente alguma Missa pelo descanso de suas almas” (Leo J. Trese, A Fé Explicada, Cap. XVIII).

Vai-lhes ao encontro pela manhã e saúda-os tomando-lhes a bênção. O mesmo fará à noite antes de te deitares, quando sais de casa ou quando chegas.

Os pais merecem, mais do que quaisquer outras pessoas, nossa estima e respeito. Quem se mostrasse educado para com os outros e incivil para com seus pais, seria um impostor.

Procura de bom grado sua companhia. Há crianças e jovens que preferem a companhia dos amigos à dos pais, dizendo que os pais os tem sempre perto de si. Que ingratidão! E os pais (pobres pais!) vêem-se muitas vezes constrangidos a disfarçar os seus sentimentos e a calar. Dias virão em que estes filhos indiferentes sentirão falta de seus progenitores e chegarão a compreender toda a sua ingratidão!

Sê aberto e franco para com teus pais. Deposita neles toda a confiança, porque são eles os teus amigos mais desinteressados e sinceros. E como é impossível recompensar-lhes o amor que te dedicam, faze tudo para honrá-los e alegrá-los.

Tuas maneiras e teu proceder sejam tais, que só o fato de te verem lhes cause alegria e consolo. Todo sorriso que os seus lábios fizeres a somar, toda consolação que lhes despertares na alma, ser-lhes-á grande recompensa, recompensa que redundará também em bênção para ti. As bênçãos dos pais são sempre confirmadas por Deus.

Felizes os filhos que desempenharem fielmente estes deveres. Serão abençoados por Deus. Mas ai dos desobedientes, que amarguram os dias dos seus pais! Esses atraem sobre si, ainda nesta vida, as maldições de Deus, que são os prenúncios das maldições e castigos da outra vida. Maldito é o filho que não honra o seu pai e sua mãe.


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Capítulo III - Deveres para com os superiores

Tudo o que se disse em relação aos pais, toma-o como dito também em relação aos teus superiores, porque eles fazem as vezes dos teus pais, e terão que prestar contas a Deus de vossas almas: “Obedecei aos vossos dirigentes, e sede-lhes dóceis; porque velam pessoalmente sobre as vossas almas, e disso prestarão contas” (Hb 13, 17). São teus superiores: o diretor do colégio, ou escola e os que o auxiliam na direção, os teus assistentes, vigilantes ou inspetores, como quer que sejam chamados, os teus mestres e em geral todos aqueles dos quais de alguma maneira, dependes. Como superiores considerarás também os anciãos e como tais os respeitarás.

A obediência aos superiores é para cada pessoa o fundamento de toda virtude, e por isso, o seu primeiro dever: “... a obediência é melhor do que o sacrifício, a docilidade mais do que a gordura dos carneiros” (1 Sm 15, 22). A vontade de Deus se realiza obedecendo aos superiores, por isso, é necessário grande espírito de fé, para não considerá-los naturalmente, isto é, suas limitações e defeitos; e assim, submeter a própria vontade a eles de forma consciente e perfeita: “Por isso é necessário submeter-se não somente por temor do castigo, mas também por dever de consciência” (Rm 13, 5).

Deves estar certo de que os superiores compreendem a obrigação que têm de promover o teu bem-estar, e quando avisam, mandam e corrigem, não visam outra coisa senão o teu bem.

Procedem mal os que não se aproximam dos seus superiores, antes fogem deles; esse procedimento é característica de uma pessoa rude e selvagem. Os que mais se acercam dos superiores, são os que recebem mais avisos e conselhos. “Os que governam incutem medo quando se pratica o mal, não quando se faz o bem. Queres então não ter medo da autoridade? Pratica o bem e dela receberás elogios, pois ela é instrumento de Deus para te conduzir ao bem. Se, porém, praticares o mal, teme, porque não é à toa que ela traz a espada: ela é instrumento de Deus para fazer justiça e punir quem pratica o mal” (Rm 13, 3-4).

Dá-lhes aquelas demonstrações de afeto e reverência que bem merecem, saudando-os quando os encontrares, conservando-te sem o chapéu em sua presença antepondo-lhes ao título a palavra “senhor”, como: senhor diretor, senhor professor, reverendíssimo padre, reverendíssima madre, etc., e bem assim nas afirmações e negações: SIM SENHOR; NÃO SENHOR.

Seja a tua obediência pronta, respeitosa e alegre: “Obedecer com a vontade é obedecer espontaneamente e não à força, como fazem os escravos” (Santo Afonso Maria de Ligório, A Prática do Amor a Jesus Cristo, Cap. XIII), não fazendo observações para te esquivares, não murmurando ou fazendo gestos de desgosto: “Quem se queixa e murmura não é perfeito, nem mesmo bom cristão” (São João da Cruz, Ditos de Luz e Amor, 172). Obedece mesmo quando o que te mandarem não for de teu agrado, porque então, será mais meritória a tua obediência.

Obedece ainda quando o superior estiver ausente, porque só os que têm instintos perversos e agem com hipocrisia, aproveitam da ausência ou distração do superior para promover distúrbios, gritarias e indisciplinas. Esse tipo de pessoa não merece confiança. “Servos, obedecei, com temor e tremor em simplicidade de coração, a vossos senhores nesta vida, como a Cristo, servindo-os, não quando vigiados, para agradar a Deus, mas como servos de Cristo, que, põem a alma em atender à vontade de Deus. Tende boa vontade em servi-los, como ao Senhor e não como a homens, sabendo que todo aquele que fizer o bem receberá o bem do Senhor” (Ef 6,5-8).

Deves ter muita confiança em teus superiores, mas nunca excessiva familiaridade, por mais que eles se mostrem afáveis para contigo: “Devemos ter caridade para com todos, mas a familiaridade não convém” (Imitação de Cristo, Cap VIII, 2). Não busque imitá-los, porque somente Jesus Cristo é perfeito: “Nunca tomes um homem, por exemplo, no que tiveres a fazer, por santo que seja, porque o demônio porá diante de ti as suas imperfeições; mas imita a Cristo que é sumamente perfeito e sumamente santo e jamais errarás” (São João da Cruz, Ditos de Luz e Amor, 155).

Será de boa educação oferecer aos superiores alguma coisa que se tem à mão, como frutas, doces, balas, etc; mas não se deve insistir demasiado para que aceitem. Não é conveniente que lhes peças tais coisas; quando, porém, ele lhas oferecerem, aceita com reconhecimento e agradece.

Abre com sinceridade o teu coração ao superior, considerando-o como um pai, que só deseja o teu bem. Encontrando-o, cumprimenta-o pedindo-lhe a bênção com uma vênia. Encontrando-te sentado, ponha-te de pé imediatamente à chegada do superior; não se sente se este, a isso não o autorizar com uma palavra ou com um aceno; e nunca ponha o chapéu na cabeça em sua presença sem a devida permissão.

Escuta reconhecido suas correções, e recebe com humildade o castigo das tuas faltas, sem mostrar-te zangado ou ressentido. É sinal de grande humildade agradecer-lhe a correção; demonstra também inteligência e bom coração aquele que no final do castigo volta para agradecer-lhe.

Constitui falta de respeito, cercar o superior no meio do corredor ou sob os pórticos, para propor-lhe coisas importantes ou simplesmente para lhe pedir alguma permissão.

Quem precisa, procure, com toda educação e respeito, o superior em seu escritório, nas horas de expediente: exponha o seu caso e aceite, com docilidade e gratidão, sua decisão.

Evita a companhia daqueles que, enquanto os superiores se dedicam totalmente ao bem de seus súditos, censuram-lhes as disposições. É este um sinal de máxima ingratidão. Uma pessoa que age assim é um câncer maligno para a comunidade em que vive.

Quando fores interrogado pelo superior a respeito do proceder de algum colega, responde com franqueza, principalmente se se tratar de impedir ou remediar algum mal. O silêncio em tal caso seria de dano ao companheiro e de ofensa a Deus.

Sê sempre grato aos teus superiores. A gratidão é uma veste preciosa que torna a pessoa agradável a todos; é o imã que atrai sobre ti os dons da Providência. Esquece, muito embora, os benefícios que a outrem fizeste; nunca, porém, te esqueças dos que tu próprio recebeste.


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Capítulo IV - Deveres para com todos

Deves ser respeitoso e educado para com todos: “Que vosso amor seja sem hipocrisia, detestando o mal e apegados ao bem; com amor fraterno, tendo carinho uns para com os outros, cada um considerando o outro como o mais digno de estima” (Rm 12, 9 – 10). Honra e ama o teu próximo como a teu irmão: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Mt 22, 39).

Não mandem nem recebam cartas sem antes mostrá-las ao superior. Perguntados a respeito de qualquer assunto, respondam sempre com prudência e sinceridade.

Fujam, como da peste, das amizades particulares, que se cultivam às escondidas. Esse tipo de amizade prejudica a vida espiritual e os estudos: “Não vos deixeis iludir: as más companhias corrompem os bons costumes” (1Cor 15, 33) e: “São um dos maiores obstáculos ao progresso espiritual: Deus, que não quer nada dum coração dividido, começa por fazer censuras interiores e, se não se escuta a sua voz, retira-se pouco a pouco da alma e priva-a de luz e consolações interiores. À medida que os apegos vão crescendo, vai-se perdendo o recolhimento interior, a paz da alma, o gosto dos exercícios espirituais e do trabalho” (Pe. João Ferreira Fontes, Compêndio de Ascética e Mística, Ad Tanquerey, cap. V, 603-a).

É absolutamente proibido dar apelidos. Chame-se cada pessoa pelo próprio nome: “Não faças a ninguém o que não queres que te façam” (Tb 4, 15). Nunca faça de alguém objeto de riso e zombaria, criticando suas faltas de qualidades e inteligência, debilidades, cor e condição social, que seria discriminação: “Mas se fazeis acepção de pessoas, cometeis um pecado e incorreis na condenação da Lei como transgressores” (Tg 2, 9).

Não ridicularizes os defeitos físicos ou morais de teu próximo, e não os arremedes, o que seria grande insulto. A mais das vezes, aqueles que zombam dos defeitos alheios são os que mais defeitos têm.

Sê disponível para prestar ao próximo algum serviço ou dar-lhe algum conselho, isto sempre de bom grado e sem almejar ou exigir algo em troca. “Todos vós, conforme o dom que cada um recebeu, consagrai-vos ao serviço uns dos outros, como bons dispenseiros da multiforme graça de Deus” (1Pd 4, 10).

Não façam mau juízo de ninguém; não sejam curiosos de saber as novidades, nem espalhem boatos: “Filho, não sejas curioso, nem te embaraces com cuidados inúteis” (Tomás de kempis, “Imitação de Cristo”, Livro III, Cap. 24); isso tudo prejudica a vida comunitária, onde deve reinar extrema caridade. Não fales dos defeitos alheios a não ser que grave motivo o exija; mas em tal caso não exageres nunca o que disseres. “Nosso Senhor Jesus Cristo diz-nos expressamente: “Não julgueis, e não sereis julgados; não condeneis e não sereis condenados” (Lc 6, 37). As mais duras palavras saídas da sua boca foram precisamente para aqueles que se faziam juízes dos outros: os fariseus. Daqui a importância de evitar qualquer tipo de críticas interiores” (Ricardo Sada e Alfonso Monroy, Curso de Teologia Moral, 14.2.2).

Evitem toda teimosia; suportem com paciência e suavidade os defeitos dos colegas, pelos quais alimentarão sempre sentimentos de respeito e estima: “Nós, os fortes, devemos carregar as debilidades dos fracos e não buscar a nossa própria satisfação. Cada um de nós procure agradar ao próximo, em vista do bem, para edificar” (Rom 15, 1-2).

Não sejas molesto a ninguém; perdoe as ofensas e não cause desgosto a ninguém, embora seja seu inferior: “Portanto, como eleitos de Deus, santos e amados, revesti-vos de sentimento de compaixão, de bondade, humildade, mansidão, longanimidade, suportando-vos uns aos outros, e perdoando-vos mutuamente, se alguém tem motivo de queixa contra o outro; como o Senhor vos perdoou, assim também fazei vós” (Col 3, 12-13).

Fuja, como peste da ociosidade e da preguiça, sempre desagradáveis e prejudiciais, especialmente naquele que é chamado a desempenhar um assíduo trabalho: “A preguiça faz cair no torpor; o ocioso passará fome” (Pr 19, 15), e: “O desejo do preguiçoso causa a sua morte, porque suas mãos recusam o trabalho” (Pr 21, 25).

Evite o olhar indiscreto e o levantar a voz em tom de arrogância. Evite também o barulho e as correrias: “O olho não se sacia de ver, nem o ouvido se farta de ouvir” (Ecl 1, 8), e: “A lâmpada do corpo é o olho. Portanto, se o teu olho estiver são, todo o teu corpo ficará iluminado; mas se o teu olho estiver doente, todo o teu corpo ficará escuro. Pois se a luz que há em ti são trevas, quão grandes serão as trevas!” (Mt 6, 22-23).

Há indivíduos cuja convivência se torna terrivelmente pesada: falam alto e pisam rumorosamente quando os outros descansam, batem as portas, arrastam camas e cadeiras: “O barulho distrai a alma do recolhimento interior; andar ou fechar as portas com ruído, conversar em voz alta, pode impedir os irmãos de rezar; neste ponto, cada um deve esforçar-se por respeitar a vida dos irmãos, por facilitá-la, evitando com cuidado tudo o que pode constituir obstáculo. Pequenas coisas, é verdade, mas agradáveis a Deus, pois facilitam a sua obra íntima nas almas” (Dom Columba Marmion, “Jesus Cristo o Ideal do Monge”). Deixam sujo tudo o que usam, como por exemplo: banheiros, pias, o seu lugar na mesa, etc. Isto é falta de caridade e de educação: “A limpeza exterior representa, até certo ponto, a honestidade interior” (São Francisco de Sales, “Introdução à Vida Devota”, Cap. XXV).

É absolutamente proibida toda brincadeira de mão; não há pretexto que a possa justificar. Avise ao superior sobre qualquer infração a esta proibição: “...nunca permitas a ti mesmo esses tratos que se dão aos outros por brincadeiras, mas que são sempre repreensíveis. Jogar um no chão, beliscar outro, pintar um terceiro de preto, enganar a um tolo, tudo isso denota uma alegria desenfreada e maligna” (São Francisco de Sales, “Introdução à Vida Devota”, Cap. XXIV).

Evitem as conversas inúteis, imorais e levianas e nunca ofendam a ninguém: “Tem todo o cuidado em não deixar sair de teus lábios alguma palavra desonesta, porque, embora não proceda duma má intenção, os que a escutam a podem interpretar de outra forma... passemos o pouco de tempo que nos é dado para uma conversa recreativa e agradável, de modo que a devoção aí praticada nos assegure uma eternidade feliz” (São Francisco de Sales, “Introdução à Vida Devota”, Cap. XXVII). Evite também de dizer palavras em louvor de si próprio: “...porque Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes” (1 Pd 5, 5).

O humilde agrada a todos e é por todos estimado, ao passo que o orgulhoso se torna antipático e insuportável; pode ser temido, mas nunca será benquisto: “... nada fazendo por competição e vanglória, mas com humildade, julgando cada um os outros superiores a si mesmo...” (Fl 2, 3).

Sê pródigo em demonstrações de afeto, respeito e cortesia. Uma palavra, um gesto de estima pouco ou nada custa, mas vale muito. Foge, contudo à adulação, que denota ânimo mesquinho e hipócrita, e pode até tornar suspeitas as tuas intenções.

Não se deve, porém, usar lisonjas e carícias para com o próximo: enervam o caráter e produzem arrogantes e impostores.

Na atitude, nos gestos e nas palavras evitem toda arrogância e soberba, para não se tornar desagradável a Deus e odioso aos olhos dos homens.


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Capítulo V - Deveres para consigo mesmo

Regra fundamental para a educação é a que nos ensina a ser moderados e civis também quando estamos sós. Um aluno só se mostra ser verdadeiro, quando ele se comporta santamente em todos os lugares: “... tornai-vos também vós santos em todo o vosso comportamento” (1 Pd 1, 15). Se não fores bem educado para contigo, aos poucos contrairás hábitos e modos inconvenientes, que te será difícil abandonar, e muitas vezes te acontecerá cometeres grosserias perante os outros, sem dar-te conta, mas não sem desonra e sem vexame. Quantos, até gente de boa sociedade, querem parecer bem educados, e, no entanto, esquecem este preceito! — A verdade é que; um aluno só mostra realmente que amadureceu, quando se comporta bem, longe dos superiores.

Quem se acostuma a ser pouco educado para consigo, sê-lo-á também para com os outros; por isso deves acostumar-te a proceder sempre com decoro. E esse tipo de aluno aos poucos será desprezado por todos da Escola de Santificação.

Quando ninguém te vê, seja teu procedimento com se todos te vissem. Assim te habituarás a proceder sempre civil e cristãmente, não parta agradar a outrem, mas pelo sentimento de dignidade própria e pelo amor ao decoro. Além disso, não é verdade que ninguém te vê: Deus te vê, e isto basta.


http://www.filhosdapaixao.org.br/civilidade/civilidade_01.htm